O
QUE CORPO, ALMA E ESPÍRITO
(1Ts 5.23) "E o mesmo Deus de paz vos santifique em
tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam
plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda
de nosso Senhor Jesus Cristo."
O ensino cristão deixa claro que o homem como imagem
imagem de Deus (Gn 1.26) é triuno: formado por corpo,
alma e espírito (I Ts 5.23; Lc 1.47-48; Hb4.12; Jó
7.11; 12.10 e 27.3). Procurar entender com precisão
o que é alma e espírito é impossível,
vivemos a limitação humana, mas teologicamente
e de uma forma didática, buscando a experiência
de homens de Deus, definimos dentro de uma formação
básica para a nossa prática cristã.
Substancialmente o homem é constituído de
duas partes: material (corpo) e espiritual (alma e espírito).
A semelhança do homem com Deus implica num entendimento
tanto material como moral. "Apesar da perda na queda
ocorrida no Éden, vemos traços dessa imagem
e semelhança de Deus no homem, a saber a) sua imortalidade;
b) no conhecimento tríplice de si mesmo, de Deus
e do mundo; c) na sua consciência; d) na razão;
e) na linguagem; e f) no livre arbítrio ou vontade
pessoal do homem. Esse atributo faz com que o homem se torne
ser moral, isto é, assuma responsabilidade por seus
pensamentos, expressões e atos2." A alma e o
espírito são inseparáveis. "Uma
evidência da triunidade do homem é que em Gn
2.7, a Palavra de Deus no original diz literalmente "fôlego
das vidas", certamente querendo dizer as vidas do espírito,
alma e corpo."
O CORPO
É a nossa "casa de barro", definida de
uma forma poética pelo livro de Jó: "quanto
mais aos que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está
no pó, e que são esmagados pela traça!"
(Jó 4.19). O escritor Watchman Nee chama de homem
periférico1. É a interface pela qual a alma
explora o mundo exterior. O corpo nos põe em contato
com o mundo físico, exceto no "estado intermediário",
ou seja, quando morre (Lc 16.19-31).
Com a ressurreição o homem receberá
novamente o seu corpo (modificado): os salvos receberão
um corpo glorioso (I Co 15); os ímpios receberão
um corpo eterno não glorioso (Mt 10.28; Dn 12.2).
"O homem foi criado para nunca morrer, mas, com a entrada
do pecado no mundo, ele perdeu sua glória e ganhou
a morte (Rm 6.23; Gn 3.19; Ec 12.7). Para que o corpo do
homem não se tornasse imortal como a alma, Deus expulsou
Adão do Éden, para que não viesse a
comer da árvore da vida (Gn 3.22-23). O corpo de
glória que o homem tinha antes de pecar, será
restaurado aos justos no momento da ressurreição
(Rm 8.11; I Co 15.36-44)2."
A ALMA
Na linguagem de Watchman Nee, é o homem exterior1.
É a sede dos sentidos, personalidade, caráter,
sentimentos, emoções, paixões, instintos,
afeições, apetites; a alma do ser humano está
no seu "eu". Quando a alma peca, envolve o corpo
e o espírito (Ez 18.22). A alma, por meio do corpo
nos põe em contato com o mundo físico, e por
meio do espírito entramos em contato com Deus. A
alma é o centro dos desejos (Dt 12.15); determina
o desejo (I Sm 2.16); é a sede do ódio (II
Sm 5.8); é a sede da angústia (Gn 42.21);
como também é a sede da alegria (Is 61.10)
e a sede da adoração (Sl 103.2). Sendo, portanto,
a fonte de todos os sentimentos, positivos ou negativos.
Os animais irracionais também têm alma, inferior
à do homem (Gn 1.20-21, 24-28; Sl 8.5-8; I Co 15.39-41;
Mt 6.26). Quanto ao homem: "E disse Deus: Façamos
o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;
domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu,
sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra,
e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra"
(Gn 1.26). Antes, já tinha criado os animais: "E
disse Deus: Produza a terra seres viventes segundo as suas
espécies: animais domésticos, répteis,
e animais selvagens segundo as suas espécies. E assim
foi (Gn 1.24).
A alma humana sobrevive com a morte do corpo, a dos animais
não (Gn 35.18; Ap 20.4; Dt 34.6, comparar com Lc
9.30; Gn25.8-9 comparado com Lc 16.22-31). Leia também
Mt 11.29; Dt 6.5; 14.26; Jó 14.22; Sl 42.1-6; 84.2.
"A alma, por meio dela, o homem tem consciência
de si mesmo. Sabe que é uma personalidade. Os animais
não têm essa consciência. A consciência
da vida vem pela alma. A alma nos liga aos nossos semelhantes,
e assim, convivemos com eles. Nos liga ao mundo social2."
O ESPÍRITO
Não tem carne nem osso, é vivo e inteligente
e invisível (Lc 24.39); é a vida divina imortal
recebida de Deus (Gn 2.7 ); vida essa que não é
a respiração, é a vida da alma. O espírito
é distinto do fôlego (Jó 34.14; Is 42.5).
Caracterizemos o espírito:
a) Centro da inteligência (I Co 2.11); os animais
não têm inteligência (Sl 32.9).
b) Ë a sede da razão, moral, intelecto, vontade,
pensamento e consciência (I Co 14.15);
c) Alma e espírito são distinto porém
inseparáveis (Hb 4.12; Jó 12.10; 27.3);
d) É a sede da adoração (I Co 14.15);
e) O corpo sem espírito é morte (Tg 2.26);
f) Deus é o pai dos espíritos (Hb 12.9).
O espírito é a interface da alma com Deus,
dá ao homem a consciência de Deus. Só
o homem tem espírito (Jó 12.10). O espírito
torna o homem um ser moral, responsável por si mesmo
(Jo 3.16-17; 7.17; Rm 7.18; I Co 9.17; Ap 22.17).
"Jesus, como homem - o Homem Perfeito - tinha corpo
(Mt 1.21; 27.58; Hb10.5). Tinha alma (Mt 26.38; Jo 12.27;
Is 53.11). Tinha espírito (Lc 23.46; Mt 27.50)2."
O DESTINO DA ALMA APÓS A MORTE
A nossa visão das coisas divinas é extremamente
limitada (I Co 13.12), mas como a luz da aurora (Pv 4.18),
um dia na dimensão do céu, num corpo glorioso,
teremos a exata grandeza do beneficio que o Senhor Jesus
trouxe para a Terra com a Sua encarnação e
ressurreição.
Um grande benefícios foi para os mortos que fazem
parte da primeira ressurreição. ou seja, com
o arrebatamento da Igreja. Abordemos a condição
intermediária dos mortos (justos e injustos) antes
e depois da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
ANTES DA RESSURREIÇÃO
A palavra SEOL (AT - hebraico) tem o mesmo sentido de HADES
(NT - grego), que é o lugar para onde iam todos os
mortos após a morte. Levantemos suas características:
a) Conforme Lc 16.19-31, o Hades era formado por uma parte
dos justos (Seio de Abraão) e outra para os injustos,
separadas por um abismo intransponível.
b) Nenhum vivo tem acesso ao Hades, como nenhuma alma que
está no lugar dos mortos tem acesso ao mundo dos
vivos. Conforme Ap 1.18. é o Senhor Jesus quem tem
as chaves; e se alguma ocorrência contraria esse princípio,
é pura simulação diabólica.
c) Os que estão lá, seqüencialmente serão
julgados (Hb 9.27) e os vivos, para a salvação,
tem a Bíblia para orientação (Lc 16.19-31).
d) Conforme Ef 4.8-10. O Hades situa-se bem no interior
da terra. A entrada das almas nesse lugar a Bíblia
sempre se refere como "desceu" (Gn 37.35; Nm 16.30-33;
Jó 17.16; 11.8; Sl 30.3; 86.13; 139.8; Pv 9.18; 15.24;
Is 14.9; 38.18;32; Ez 31.15-17; Am 9.12).
e) A palavra Hades e Seol aparecem às vezes traduzidas
também por inferno (Dt 32.22; II Sm 22.6; Jó
11.8; 26.6; Sl 16.10; Mt 16.18; Ap 1.18). O inferno eterno
como destino final dos ímpios, biblicamente é
chamado Lago de Fogo e Enxofre (Ap 20.10-14). Outras vezes
Hades por ser traduzida por sepultura (Gn 37.35; 42.38;
44.31; Jó 21.13); ou também por "morte"
(I Co 15.55). Segundo estudiosos que dominam as línguas
originais, são formas imprecisas de tradução2.
DEPOIS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS
Jesus assegurou: "E as portas do inferno nunca prevalecerão
contra ela" (Mt 16.18), ou seja, que a partir de Jesus,
os justos não mais desceria ao Hades (inferno). Ao
ladrão da cruz Ele disse: "Hoje estarás
comigo no Paraíso" (Lc 23.43). O apóstolo
Paulo continua com a revelação: "Subindo
ao alto, conduziu cativo o cativeiro, e deu dons aos homens.
Ora, subiu, que é, senão o que também
desceu às partes mais baixas da terra?" Ef 4.8-9).
O Senhor Jesus ao ressuscitar, levou para o céu os
crentes do Antigo Testamento que estavam no Seio de Abraão,
conforme promessa em Mt 16.18
Hoje o Paraíso está lá em cima, conforme
textos:
a) O apóstolo Paulo foi ao Paraíso, que estava
no terceiro céu (II Co 12.1-4).
b) Em Ap 6.9-10 as almas dos mártires da Grande Tribulação
foi revelado que estavam "debaixo do altar" aguardando
a ressurreição.
c) Os crentes que agora dormem no Senhor estão no
céu, pois o Paraíso está agora ali,
como um dos resultados da obra redentora do Senhor (II Co
5.8)2.
d) No momento do arrebatamento da Igreja, os que morreram
no Senhor virão com Jesus, unir-se-ão a seus
corpos ressurrectos, e estarão com Cristo para sempre,
já glorificados.
e) A comparação de Fp 1.23 com I Pe 3.22,
conclui-se que o Paraíso situa-se agora no céu.
f) O justo hoje ao morrer fica com Cristo (Fp 1.23); e Cristo
está agora assentado à direita de Deus (I
Pe 3.22).
CONCLUSÃO
A presente situação dos ímpios mortos
continua inalterável; os que morrem continuam descendo
ao Hades, o império da morte, aguardando o Trono
Branco no final do Milênio, aguardando a ressurreição
da vergonha e horror eterno para serem julgados e serem
lançados no inferno eterno (Lago de Fogo e Enxofre),
conforme Ap 20.13-15.
Como abordamos, ninguém sai do Hades, a chave está
com o Senhor Jesus (Ap 1.18) e os salvos estão com
Jesus. Qualquer ocorrência de alma de outro mundo
é atuação diabólica: "Sede
sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo,
anda em derredor, rugindo como leão, e procurando
a quem possa tragar;" (I Pe 5.8).
"Em Ez 32.17-32, no chamado "Rol das nações
ímpias no Hades", vemos os ímpios mortos
das nações ali referidas, postos no Hades.
Esta passagem é sumamente importante diante dos fatos
que estamos estudando2."
A ressurreição do Senhor Jesus Cristo é
o maior hino de vitória: "num momento, num abrir
e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque
a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados
incorruptíveis, e nós seremos transformados.
Porque é necessário que isto que é
corruptível se revista da incorruptibilidade e que
isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas,
quando isto que é corruptível se revestir
da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir
da imortalidade, então se cumprirá a palavra
que está escrito: Tragada foi a morte na vitória.
Onde está, ó morte, a tua vitória?
Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
O aguilhão da morte é o pecado, e a força
do pecado é a lei." (I Co 15.52-56).
BIBLIOGRAFIA
1 Watchman Nee, A Liberação do Espírito;
Publicação da CLC Editora; São José
dos Campos-SP.
2 Bíblia com ajudas adicionais (Alfalit); Edição
de 1995; Sociedade Bíblica do Brasil - São
Paulo.
Autor:
Otoniel Marcelino de Medeiros
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