Visão da Igreja
Principal > Estudos > A abertura dos selos

A abertura dos selos
"E um dos quatro seres viventes gritou: VEM!"
(Apocalipse 6.1-11)


1. Situando
No sonhos podemos voltar ao passado e reviver coisas de anos atrás. O mesmo aconteceu com João. Ele viveu em torno dos anos 70 até 90 depois de Cristo. Mas no seu sonho ele volta ao passado, para o ano 33, para o momento em que Jesus subiu ao céu, recebeu todo o poder e está sentado à direita de Deus Pai para tornar-se o Senhor da história. Da visão do Trono no capítulo 4, nós passamos a olhar o Cordeiro com o livro lacrado no capítulo 5. Agora no capítulo 6, ao apresentar o Cordeiro abrindo os selos do livro, João descreve o desenrolar do julgamento de Deus e nos ajuda a perceber o rumo da história.
2. Comentando
Divisão do capítulo 6:
6.1-8 : Abertura dos primeiros 4 selos: João aponta os fatos conhecidos do passado.
6.9-11: Abertura do quinto selo: João atinge o tempo presente, o momento em que ele mesmo e as comunidades estão vivendo.
6.12-17: Abertura do sexto selo: João fala do futuro que ainda não chegou
Apocalipse 6.1-8: (o passado)
A abertura dos primeiros quatro selos é provocada, cada vez, pelo grito de um dos quatro seres viventes. Grito forte: VEM!. Ele evoca a palavra criadora. Deus gritou: "Haja LUZ", e a luz veio, começou a existir. Aqui o grito VEM revela a desintegração da antiga criação! Após cada grito aparece um cavalo colorido, trazendo pragas, guerras, revoluções, fome, morte.

Qual o significado de cada cor? Você ainda se lembra?
Na Bíblia, cavalo costuma ser sinal do poder opressor que vem correndo e arrasa (Salmo 20.7; 76.6; 147.10). A história é como um cavalo, como u tanque de guerra, passa por cima de tudo. As pragas trazidas pelos quatro cavalos representam os quatro grandes medos do povo daquele tempo: invasões e passagem de exércitos inimigos; guerras e matanças; fome e carestia; doenças, peste e morte. Esses acontecimentos estavam muito presentes na realidade das comunidades daquele tempo. De cada praga os leitores daquele tempo podiam dizer: "Isso já aconteceu.". Vejamos:


1. Selo: Cavalo branco (vv.1-2)
Invasões e passagem de exércitos inimigos. O cavaleiro com o arco é um aprovável alusão aos Partos, um povo que ameaçava a segurança da fronteira oriental do Império Romano. Os Partos chegaram a invadir Jerusalém e ocupar a Palestina durante dois anos (40 1té 38 ªC.)
2. Selo: Cavalo vermelho (vv.3-4)
O cavaleiro coma enorme espada tira a paz da terra e faz com que as pessoas se matem entre si. Provável alusão às revoltas camponesas que se sucediam na Palestina a partir da ocupação romana (63 ªC.)
3. Selo: Cavalo preto (vv.5-6)
Um denário era o salário de um dia. Um operário tinha que trabalhar um dia inteiro para poder juntar um pouco de trigo. O povo estava sendo explorado (Ap 18.11-15) e o custo de vida estava ficando insuportável. Provável alusão à terrível situação durante o cerco de Jerusalém pelas legiões romanas (70 d.C).
4. Selo: Cavalo cor de cadáver (vv.7-8)
Igualmente uma alusão as epidemias e mortandades ocorridas durante o cerco da cidade de Jerusalém pelos exércitos romanos.
Os selos são uma ajuda para o povo das comunidades descobrir, dentro dos fatos, os sinais que apontam para a vitória final. Pelo fato de apresentar a história como uma resposta ao grito VEM, João liga os acontecimentos com o nome de Deus (Aquele que era, que é e que virá, cf Ap. 4.8). Todos os sinais devem ser vistos como sinal da vinda de Deus.
Como explicar a violência e as matanças que aparecem nesses 4 selos? Será que Deus quer a violência? Não!. É o contrário. Os que se beneficiam da desordem estabelecida pelo Império Romano, estes não entregam sem briga os seus privilégios. Eles resistem contra a vinda de Deus que quer criar um mundo novo. Por isso, são eles que provocam as matanças e as violências. Portanto, a vinda de Deus é um julgamento: faz aparecer a violência dos que não querem saber de Deus.
O TEMPO PRESENTE do apóstolo João.
Apocalipse 6.9-11
Na abertura do quinto selo, não há o grito VEM. Também não aparece nenhum cavalo colorido, mas ouve-se o grito angustiado dos mártires. Esse é o tempo atual daquelas comunidades. Tempo de perseguição. Os mártires estão debaixo do altar, lugar para onde escorria o sangue dos sacrifícios. Foram degolados por causa do testemunho que deram da Palavra de Deus. Eles gritam: "Até quando, ó Senhor, tardarás para fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?" (Ap. 6.10). Como antigamente no Egito, é o grito dos excluídos, dos torturados e martirizados que sobe até Deus (Ex 2.23-24; 3.7). Eles gritam por justiça contra a impunidade. Eles sabem que o Cordeiro é o Senhor da história. Sabem que serão vitoriosos, mas lhes custa ter paciência.
A resposta de Deus é: "Esperar mais um pouco de tempo" (Ap.6.11). A perseguição tem um prazo para terminar. Já estamos no quinto selo. Falta o sexto que vai demorar ainda um pouco e depois o sétimo, que será o fim. Enquanto esperam eles já recebem a veste branca. (O que significa veste branca?). A aparente derrota dos que foram mortos se mostrará como vitória no final. Até o final, mais gente vai morrer por causa da Palavra de Deus. É que os seguidores de Jesus não temem doar a sua vida pelo irmão.
O COMEÇO DO FIM
Chegou o dia da ira: "Não tenham medo" (Apocalipse 6.12-17)
Esse texto é pequeno, mas devemos prestar-lhe muita atenção. Aqui nós vamos tocar naqueles pontos do Apocalipse que mais metem medo nas pessoas: terremoto, sinais na lua, sinais no sol, o dia da ira de Deus. Hoje tem muita gente que liga tudo isso com o fim do mundo, pois dizem: "As mudanças no clima, os terremotos, a poluição, as calamidades, as epidemias, a diminuição da camada de ozônio, a aparição do cometa, tudo isso é sinal de que o fim do mundo está chegando."
Na leitura de Apocalipse 6.12-17, o Cordeiro abre o sexto selo e João presencia o começo do fim. Não o fim do mundo, mas o fim de um mundo.
- Quais são, uma depois da outra, as várias partes da visão do sexto selo?
- Qual é o mundo que acaba? Quem fica com medo? Porque eles estão com medo? Quem não precisa ter medo? Por que?
- Nos capítulos 4 e 5 foram dados diversos motivos para que as comunidades não tivessem medo. Que motivos são esses?
Ap. 6.12-14 - Desintegração do mundo atual
Abre-se o sexto selo. O panorama mudou. O que acontece é a desintegração total do mundo cá de baixo: o sol perde o brilho, a lua fica como sangue, as estrelas caem, o céu se enrola, as montanhas e as ilhas são removidas. Nada fica no seu lugar. Todas estas imagens simbolizam a desestabilização e a destruição deste mundo injusto, criado e mantido pelos que tinham seus privilégios. O dia da ira de Deus chegou. Dia terrível para aqueles que querem manter esse mundo de injustiça.


Ap. 6.15-17 - A vitória do Cordeiro
Os que no quinto selo dominavam e perseguiam as comunidades, agora fogem apavorados. Eles são enumerados em sete categorias: reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos, os escravos e os livres. Diante da calamidade, quem tem cabeça de dominador, de aproveitador, seja escravo ou seja livre, seja rico ou seja pobre, todos eles percebem que o seu mundo desabou. Por isso, perdem o sentido de sua existência e querem se esconder da face do Cordeiro. Portanto, o dia de Javé (Javé é o nome de Deus), que também aparece no livro de Joel (Jl 2.11), vai ser terrível, não para os perseguidos, mas sim para os perseguidores.
Como entender esta divisão da história em sete etapas?
Dividindo a história em sete selos, João quer ensinar o seguinte: tudo, todos os acontecimentos, todos os povos, todas as pessoas, mesmo as que se dizem neutras, mesmo o imperador Nero ou Domiciano com todo o seu poder e glória, querendo ou não, tudo e todos estamos dentro da grande luta entre a justiça e a injustiça, entre a vida e a morte, entre o Reino e o anti-reino. No jogo da história não existe arquibancada para assistir o espetáculo de fora. Todos estamos dentro do campo, jogando a favor ou contra do Plano de Deus. Não é possível neutralidade. Para quem sabe ler os acontecimentos, é dentro dessa luta que se realiza a vinda de Deus.
Mas a luta entre o bem e o mal não deve ser entendida como se de um lado só houvesse gente boa e do outro lado só gente que não presta. Essa maneira extremista de ler a história só produz fanatismo e condenação mútua. Na verdade, o bem e o mal, a vida e a morte, as sementes da vida e as de morte estão misturadas dentro de nós, dentro das instituições, dentro de tudo que criamos e realizamos.
A pergunta final é: "Quem poderá ficar de pé? Quem vai sobreviver a esse desastre?" (Ap.6.17). Quem faz a pergunta são os que tem medo, os que precisam fugir. Quem é opressor não vai sobreviver no mundo que Deus vai criar. Quem sobrevive será quem for resistente. Mas isso já é assunto para o próximo encontro.
P.Nilton Giese
1. Cores:
Em todos os povos, de acordo com sua cultura, as cores têm um significado simbólico. No antigo Egito, por exemplo, o preto era a cor da esperança. Em outros povos, o branco é a cor do luto. Para nós, o verde é a cor da esperança. No apocalipse as cores também têm um significado:
·Branco: vitória, glória, alegria, pureza (Ap 2.17)
·Vermelho: sangue, fogo, guerra, perseguição (Ap 6.4)
·Amarelo-esverdeado ou baio: cor de cadáver que se decompõe, doença (Ap 6.7)
·Púrpura e escarlate ou vermelho vivo: luxo e dignidade real (Ap 17.4)
·Preto: fome (Ap. 6.5)
2. Números
Entre nós, alguns números têm um significado simbólico. Por exemplo: sete é a conta do...
Treze é o número do... No ambiente apocalíptico, os números também têm um significado simbólico:
3 - Três vezes é o superlativo hebraico: Significa plenitude (Ap 21.13) e santidade (Ap 4.8). Por exemplo: 3 vezes Santo.
4 - Número cósmico. Os 4 cantos da terra (Ap 4.6; 7.1; 20.8). Os 4 elementos do universo (terra, fogo, água, ar). Quadrangular é sinal de plenitude e perfeição (Ap. 21.16)
7 - É a composição de 3+4. Indica plenitude, perfeição, totalidade (Ap. 1.4). Metade de 7 é 3,5 (Ap. 11.9). É um meio tempo (Ap 12.14; Dn 7.25). Indica uma duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.
10 - "Dez dias de provação" (Ap 2.10) significa tempo de curta duração.
12 - É a composição de 3x4. Número que também indica perfeição e totalidade (Ap 21.12-14)
24 - É uma composição de 2x12. Os 24 anciãos (Ap 4.4), representam o povo do AT (12 tribos) e o povo do NT (12 apóstolos), ou seja, a totalidade do povo de Deus.
42 - Quarenta e dois meses (Ap 11.2) é igual a 3 anos e meio ou a 1260 dias(Ap 12.6), isto é a metade de sete anos. Indica ser um tempo limitado por Deus.
144 - É a composição de 12x12 (Ap 21.17). Sinal de grande perfeição e totalidade.
666 - É o número da besta (Ap 13.18). Em grego ou em hebraico cada letra tem um significado numérico. O número de um nome era o total do valor numérico de suas letras. O número 666 é do nome CÉSAR-NERON conforme o valor das letras hebraicas ou CÉSAR_DEUS conforme o valor das letras gregas. É um número que indica imperfeição. Seis não chega a se sete e é só a metade de 12. O número 666 indica imperfeição.
1000 - Designa um prazo de tempo comprido e completo. Reino de mil anos (Ap 20.2). As combinações: 7x1000 = 7000 (Ap. 11.13), 12x1000 = 12000 (Ap 7.5-8) e 144x1000 = 144000 (Ap 7.4).
3. Elementos da Natureza:
Também entre nós alguns elementos da natureza tem um significado simbólico. Por exemplo: "Fulana tem uma boa estrela!", ou "João tem uma saúde de ferro", ou "Aquela menina é uma pérola". No Apocalipse, os elementos da natureza também têm um significado simbólico:
· Sol e Lua: "vestida com o sol e a lua debaixo dos pés" (Ap 12.1), lembra da criação servindo ao povo de Deus.
·Estrela (Ap 1.16) - anjo ou coordenador da Comunidade (Ap 1.20)
·Estrela da manhã (Ap 2.28): Jesus, fonte de toda a esperança (Ap 22.16)
·Arco-íris (Ap 10.1): Símbolo da onipotência e da graça de Deus. Evoca a aliança de Deus com Noé (Gn 9.12-17).
·Mar (Ap 13.1): caos primitivo (Gn 1.1-2), lugar de onde sai a besta fera, símbolo do mal.
·Abismo (Ap 9.2): lugar debaixo da terra, onde os espíritos maus ficam presos.
·Água da boca da serpente (o vômito) (Ap 12.15) - faz referência ao Império Romano.
·Eufrates (Ap 9.14) - região de onde costumavam vir os invasores.
·Cristal (Ap 4.6; 22.1) Clareza, esplendor, transparência, ausência do mal.
·Pedra branca (Ap 2.17): usado no tribunal pelo juiz para declarar alguém inocente.
·Ouro (Ap 1.13): riqueza
·Ferro, cetro de ferro (Ap 2.27): poder
·Barro, vasos de barro (Ap2.27): fragilidade. Evoca Is 64.7 ou Jr 18.6.
·Palma (Ap 7.9): triunfo
·Duas oliveiras (Ap 11.4): personagens importantes. Evocam a visão do AT (Zc 4.3-14).
4. Mundo animal:
A convivência com os animais produz significados simbólicos. Por exemplo: "Não ser um papagaio" ou "Escutar como coruja", ou "meter o bico em tudo", ou "Fulano de tal é um cavalo".
No Apocalipse, os bichos ou partes dos bichos também um significado simbólico:
·dragão (Ap 12.3) ou "antiga serpente" (Ap 12.9) : poder do mal hostil a Deus e a seu povo.
·Besta-fera que sai da terra (Ap13.11): o falso profeta que propaga o culto ao imperador. O dragão , a besta fera e a besta fera do mar são uma caricatura da trindade. O anti-Deus, o anti-Cristo e o anti-Espírito (falso profeta).
·Pantera, leão e urso (Ap13.2): crueldade, sem misericórdia. Evoca a visão de Daniel (Dn 7.4-6).
·Cavalos (Ap 6.2-7): poder, exército qie arrasa. Evocam a visão de Zacarias (Zc 1.8-10).
·Cordeiro (Ap 5.6): indica Jesus. Evoca o cordeiro pascal no êxodo (Ex 12.1-14).
·Leão, touro, homem, águia, os "quatro seres vivos", literalmente: "animais" (Ap 4.6-7) indicam os quatro seres mais fortes que presidem o governo do mundo físico. Indicam também os quatro elementos que formam o ser humano: touro (instinto), leão (sentimento), águia (intelecto), homem(rosto). Os quatro juntos formavam um ser mitológico da Babilônia, chamado karibu ou Querubim, e a Esfinge do Antigo Egito. Evoca as visões de Isaías (Is 6.2) e sobretudo a de Ezequiel (Ez 10.14; 1.10).
·Águia (Ap 12.14): evoca a proteção do Êxodo (Ex 19.4; Dt 32.11).
·Gafanhotos (Ap 9.3): invasores estrangeiros (os Partos). Evocam as pragas do Egito (Ex 10.1-20) e a visão de Joel que fala de gafanhotos com aspecto de cavalos (Jl 2.4; Ap. 9.7).
·Escorpião (Ap 9.3): perfídia, traição. Evoca o Êxodo conforme o livro de Sabedoria (Sb 16.9).
·Cobra, serpente (Ap 9.19): poder mortífero
·Sapo (Ap 16.13): animal impuro (Lv 11.10-12). Símbolo persa da divindade das trevas. Evoca a praga das rãs (Ex 7.26 a 8.11)
·Chifre (Ap 5.6): poder, particularmente o poder do rei.
·Asas (Ap 4.8): mobilidade, velocidade em executar a vontade de Deus. Evoca Ezequiel (EZ 1.6-12)
E a vida e as coisas da vida com suas instituições?
Por exemplo: Túnica longa (Ap. 1.13), linho puro (Ap 15.6), selo (Ap. 5.1), foice 9Ap 14.14)?
Ou então: cabelos brancos (Ap1.14), olhos brilhantes (Ap 1.14), p´s de bronze (Ap 1.15)?
Isso vamos no próximo encontro...
1. Coisas da Vida:
·Túnica longa (Ap 1.13) - símbolo de sacerdócio (Ex 28,4, Zc 3,4).
·Linho puro (Ap 15.6) - a conduta dos cristãos (Ap 19.8).
·Alfa e ômega (Ap 1.8) - primeiro e o último, o princípio e o fim (Ap 21.6; 22.13)
·Chave (Ap 3.7) - poder
·Livro (Ap 5.1) - O plano de Deus para a história humana
·Selo (Ap 5.1) - Segredo
·Ladrão (Ap 3.3) - Deus vem como ladrão, isto é, de maneira inesperada, imprevisível.
·Foice (Ap 14.14) - Imagem de julgamento
·Trombeta (Ap 8.2) - Voz sobre-humana que anuncia os acontecimentos do fim dos tempos.
·Carimbo, sinal, marca (Ap 7.2; 13.16-17) - marca de propriedade e proteção.
·Balança (Ap 6.5) - Escassez de comida, custo de vida.

2. Corpo e vida humana:
·cabelos brancos (Ap 1.14) - símbolo de eternidade
·olhos brilhantes (Ap 1.14) - símbolo de ciência divina universal
·pés de bronze (Ap 1.15) - firmeza invencível
·mão direita (Ap 1.16) - símbolo de poder. Evoca a ação de Deus no Êxodo.
·Mulher (Ap 12.1) - povo santo dos tempos messiânicos: as comunidades em luta.
·Filho de mulher (Ap 12.4) - Messias, chefe do Novo Israel. Evoca Gn 3.15.
·Prostituição (Ap.2.14) - Infidelidade da idolatria.
·Virgem (Ap 14.4) - pessoa que rejeita a idolatria.
·Noiva, esposa (Ap 19.7) - igreja, povo de Deus (cf. Ap 21.2; 21.9-10).
·Casamento do Cordeiro com a Noiva (Ap 19.7; 21.2) - estabelecimento do Reino de Deus (Is 62.5).
3. Jerusalém e o seu templo
·candelabros de ouro (Ap 1.12) - o povo de Deus, as comunidades.
·Incenso (Ap 5.8) - oração dos santos que sobe até Deus (Ap 8.4)
·Coluna (Ap 3.12) - firmeza e lugar de honra. Evoca a coluna do templo (1Rs 7.15-22).
·Templo (Ap 3.12) - coração de Jerusalém, cidade santa, representa o povo de Deus.
·Monte Sião (Ap 14.1) - lugar do templo; trono de Deus.
·Nova Jerusalém (Ap 3.12; 21.2) - O povo de Deus, finalmente reconciliado.
4. Império Romano
·trono (Ap 1.4) - majestade, domínio. Evoca o julgamento anunciado no Antigo Testamento (Dn 7.9-14).
·Trono de satanás (Ap 2.13) - altar do templo Zeus no alto da montanha em Pérgamo
·Espada afiada (Ap 1.16) - A palavra de Deus que julga e castiga (Ap 19.15). Evoca a imagem usada por Isaías (Is 49.2) e, sobretudo, pelo livro de Sabedoria (Sb 18.15).
·Arco (Ap 6.2) - arma característica dos Partos; terror.
·cinto de ouro (Ap 1.13) - símbolo de realeza
·coroa (Ap 4.4) - poder de rei
·rei dos reis, senhor dos senhores (Ap 19.16) - título do imperador romano dado a Jesus.
A Besta que sobe do mar
O sistema que governa o mundo (Ap. 13.1-10)
Antes de seguir em frente vamos lembrar algumas coisas importantes dos encontros anteriores:
1. No Cap. 12, João foi elevado ao mundo lá de cima e contemplou a vitória de Jesus sobre o Dragão. Aqui, no Cap. 13, ele desce para o mundo cá de baixo e mostra como o conflito do mundo lá de cima se manifesta entre o Império Romano e as comunidades. João descreve o mundo cá de baixo dividido em dois campos de batalha: o campo do Dragão, da Besta, do Império (Ap.13.1-18) e do outro lado o campo de Deus, do Cordeiro, das Comunidades (Ap. 14.1-5). E assim como Jesus já venceu o Dragão no mundo lá de cima, assim ele haverá de vencer esse mesmo Dragão aqui em baixo.
2. Dragão é a "antiga serpente" (Ap. 12.9) que se encarna no Império Romano, que aqui é descrito sob a figura de duas Bestas. A primeira Besta sai do mar (Ap. 13.1) e a outra da terra (Ap. 13.11). Ambas estão à serviço do Dragão. Essa maneira de apresentar o Império sob a forma de uma fera violenta, vem do profeta Daniel, que apresenta o império dos Medos, dos Babilônios, dos Persas e dos Gregos sob a forma de 4 animais terríveis (Dn 7.2-8). São reinos animalescos. Eles desumanizam a vida. João apresenta mais um reino animalesco: o Império Romano, simbolizado nas duas Bestas. Mudam as Bestas, mas o comando do Dragão continua o mesmo.
Ap. 13.1-2:
O último versículo do capítulo 12 terminou assim: "Coloquei-me sobre a praia do mar" (Ap. 12.18). Estando na praia, João vê uma Besta que sai do mar. Na Bíblia o mar é o símbolo do caos anterior a criação de Deus. Tudo que vem do fundo do mar é simbólico de forças contrárias à vida. A Besta é o símbolo do Império Romano. Ela tem 10 chifres e 7 cabeças e sobre as cabeças 10 diademas. Chifre e diadema simbolizam o poder. E aqui fala-se em muito poder. As cabeças são os imperadores que se sucedem. Sucessão é sinal de estabilidade do sistema. A Besta tem aspectos de pantera, urso e leão. São bichos devoradores. E é para a Besta Fera que o Dragão dá todo o seu poder. Vejam aqui a novidade: O apóstolo Paulo, em torno do ano 55, tinha escrito aos Romanos: "Submetam-se às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus."(Rm 13.1-3) Também em 1Pe 2.13-14 se insiste na mesma obediência às autoridades constituídas. Na época em que João escreve o Apocalipse (30 ou 40 anos depois de Paulo e Pedro) a situação mudou completamente. Para João a autoridade do Império Romano não vem de Deus, mas vem do Dragão(Satanás). O império Romano elogiado e adorado como um deus, não passa de uma Besta dependente do Dragão. Ele é a encarnação do poder do mal.
Ap. 13.3-4:
Jesus, o Cordeiro, tinha uma ferida de morte e estava vivo (Ap. 5.6). Da mesma maneira a Besta tem uma ferida de morte numa das 7 cabeças, mas essa ferida foi curada. Mata-se um imperador,mas logo aparece outro. O sistema se reproduz, é mais forte que os seus funcionários. Na época do imperador Domiciano (+ ou - anos 90), o grande perseguidor dos cristãos o povo dizia: "Ele é Nero que voltou a viver!". A propaganda do império fazia o povo ver que o imperador era um deus. Criou-se assim um grande número de pessoas que se admiravam dizendo: "Quem é comparável à Besta e quem pode lutar contra ela?"
Ap. 13.5-8:
Nestes versículos acentua-se a insolência do poder do Império, que vomita insultos "contra Deus, contra o Nome de Deus, contra a tenda e contra os que habitam no céu". A tenda simboliza o povo de Deus. Os que habitam no céu são os mártires. A Besta "faz guerra contra os santos e os vence". As comunidades não tem para onde fugir, pois o Império estendeu o seu domínio sobre toda a terra, povo, tribo, língua e nação. Todos os habitante das terra adoram a Besta como um deus. Mas todos esse poder imenso é frágil. Seu tempo é limitado. Dura apenas 42 meses (3 anos e meio) metade de sete. Quem controla o tempo e o destino da humanidade é Deus. As comunidades tem o nome escrito no Livro da Vida. Por isso não devem ter medo diante do Império que arrota insolências contra Deus.
Ap. 13.9-10:
João fala aqui do fundamento da fé e da esperança das Comunidades: "Se alguém está destinado para a prisão, este irá para a prisão." Se está destinado a morrer pela espada, vai morrer pela espada Nisto repousam a perseverança e a fé das pessoas das Comunidades". Esta frase misteriosa tem várias interpretações. Uns explicam assim: "O que Deus decidiu fazer, ninguém é capaz de impedir, nem mesmo o Império Romano. O plano de Deus se realizará." Outros explicam assim: "A perseguição já estava prevista. Deus sabe o que vai acontecer. Os perseguidores dos cristãos vão ter o seu merecido castigo". Essas duas interpretações queriam animar as comunidades e não provocar nelas medo.
Ap. 13.11-15:
O capítulo 13 fala de duas Bestas. A primeira vem do mar e recebe o poder do Dragão. A outra vem da terra (Ap.13.11) e recebe o seu poder da primeira Besta. A primeira Besta representa o Império Romano, a segunda representa a ideologia que sustenta o sistema do império e com a sua propaganda, faz a cabeça das pessoas. A primeira se apresenta como caricatura do Jesus ressuscitado, pois tem ferida de norte e sobrevive (Ap. 13.3). A segunda, usando a aparência de um cordeiro, se apresenta como símbolo da paz. Mas ela não consegue esconder sua verdadeira identidade. A voz do lobo revela que trata-se de um falso profeta (Ap. 19.20) à serviço do império.
A Besta que sobe da terra tem a aparência de um cordeiro, mas tem a voz de um lobo. João evoca as palavras de Jesus:"Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm até vocês disfarçados de cordeiros, mas por dentro são lobos vorazes."(Mt 7.15)
Trata-se de pessoas do próprio povo que se unem aos opressores para poder ter benefício próprio. Essas pessoas se apresentam como gente boa, mas quem for esperto tem discernimento e percebe de que se trata de lobos vorazes.

O poder da segunda besta vem da primeira Besta. Vem do Império. O esforço da segunda Besta consiste em fazer com que todo o povo apóie a primeira Besta e adore o Império. Ela chega a imitar o profeta Elias, fazendo descer fogo do céu.
Lá no Egito, os magos do Faraó também imitavam alguns sinais realizados por Moisés (Ex 7.11.22; 8.3), mas no fim foram derrubados pelas pragas e tiveram de reconhecer: "Aqui está o dedo de Deus" (Ex 8.14). João diz aqui no Apocalipse que assim também algumas pessoas ao invés de usarem seus dons para libertar e servir, na verdade os usavam para favorecer e legitimar o poder do império Romano.
Ap. 13.16-17:
Essa segunda Besta controla todos os habitantes através da economia. A marca da Besta "na mão direita ou na fronte" também é uma caricatura para a Lei de Deus que deve estar "atada na mão ou na fronte", como um sinal da pertença a Deus (Dt 6.8). A pertença ao Império escraviza as pessoas. Quem não concordava com o império não podia comprar coisa alguma, não conseguia comida e nem trabalho e por isso morria de fome.
Ap. 13.18:
A Besta é um animal cuja identidade (número) não é de animal, mas sim de gente. É gente que se comporta como animal. Essa pessoa tem o número 666. Geralmente a preocupação em descobrir logo o significado do número 666 faz com que a gente desvie a atenção da primeira afirmação. A saber: uma pessoa humana, no caso o imperador romano, adorado e venerado no mundo inteiro como um deus, na realidade não passa de um animal, de um bicho que desumaniza a vida dos povos.
As letras C,D,I,L,M,V ou U e X tinham um valor numérico. Por exemplo: XI não se lê "chi", mas onze. Outro exemplo: a palavra DILÚVIO: D=500; I=1; L=50; U=5; V=5; I=1; 0=0. Assim, somando tudo o número da palavra DILÚVIO é 562. Outro exemplo: a expressão ÍDOLO XUCRO. I= ; D= ; 0= ; L= ; 0= ; X= ; U= ; C= ;R= (nada); 0= . Assim diz o Apocalipse: Quem tem inteligência sabe calcular o número do ÍDOLO XUCRO. O seu número é 666.
Também no hebraico as letras podem significar números. Por exemplo, escrever CÉSAR NERO em hebraico e depois somar o valor das letras dá o número 666.
Em 1Rs 10.14 diz que o rei Salomão arrecadava a cada ano 666 talentos de ouro (23 toneladas). João lembra aqui que a péssima atuação de Salomão, que se enriquecia às custas dos camponeses pobres do interior da Palestina.
E hoje, quem é a Besta. Cada época tem a sua Besta. É o sistema que encarna o mal e escraviza a vida. Muitas pessoas, porém criam suas próprias Bestas. Para uns é o governo, para outros é o papa, para outros é o capitalismo selvagem, para outros é o comunismo. Qual o sentido certo? Não devemos esquecer que no Apocalipse a Besta é gente que se comporta como bicho, como animal (Ap. 13.18). A partir daí podemos procurar pelas Bestas dos dias de hoje.

Apocalipse - O Início da Visão - Estudo 5
Lincoln A. A. Oliveira
Apocalipse 4

Introdução

O capítulo 1 do Apocalipse descreve o Cristo Vitorioso no drama que o Apóstolo João estaria desvendando em sua visão. Os capítulos 2 e 3, relatam o auditório a quem se destina este drama. Este público-alvo primariamente são as sete igrejas da Ásia Menor, mas, em um sentido mais amplo, significa todas as igrejas e crentes em todos os tempos. Até aqui, o material apresentado foi uma preparação para o que se inicia neste capítulo 4, objeto deste nosso estudo. A partir de agora, surgirão cenas cujo objetivo é dar aos cristãos perseguidos, especialmente aqueles da época do imperador Domiciano, a certeza de que a causa de Cristo será completa e indubitavelmente vitoriosa. Este capítulo e o estudo seguinte servem como uma introdução ao que se desenvolverá a seguir.

Antes porém de prosseguirmos na tentativa de entender a cena descrita neste capítulo, é importante enfatizar três dos princípios necessários para melhor compreender o simbolismo utilizado.

A linguagem usada é classificada como "apocalíptica", isto é, ela não apela à razão, mas à imaginação.

A mensagem dos símbolos deve ser vista de uma forma geral e não nos seus detalhes. Estes, em sua maioria, não trazem nenhuma mensagem específica, mas apenas compõem o cenário, contribuindo para a cor, luz, som e movimento da cena.

A utilização de números quase nunca têm significado numérico ou aritmético. A numerologia judaica, presente em diversos outros escritos, revela que o número um simbolizava a própria unidade (um objeto). Já o número dois, estava relacionado ao conceito de fortaleza, confirmação ou coragem (duas testemunhas). O três, vinculava-se ao divino (pai, mãe, filho) enquanto que o quatro, simbolizava o mundo físico (quatro pontos cardeais). O número cinco são os dedos da mão, sendo por isso, associado à perfeição humana (quando não há mutilação na guerra, os dedos da mão são cinco). O dobro de cinco, que é dez, constituem os mandamentos de Deus. O sete, resultado da soma do quatro (mundo físico) e três (divino) simboliza a perfeição e o seis, que falhou em sua tentativa de alcançar o sete da perfeição, está associado à falha ou à queda. Há também outros números que são combinações, como é o caso do 666 (o número da besta) ou o quarenta, que quer dizer provação humana (quarenta anos do povo de Israel no deserto, quarenta anos de exílio de Moisés), ou o setenta, que quer dizer super sagrado ou ainda 3 x 4 = 12, que significa a religião organizada (doze tribos de Israel, doze discípulos).


O Trono de Deus, os 24 Anciãos e os 4 Seres Viventes

João, o autor do Apocalipse, em espírito, entra pela porta do céu para receber a grande primeira visão. A mensagem da visão, que se segue na narrativa bíblica, tenta mostrar um retrato de Deus, de Sua soberania sobre o Universo e de alguns de seus atributos:

Deus é espírito: O Apóstolo João, na realidade, não tenta (ou não consegue) retratar o Soberano de todo o Universo. No texto diz somente que Ele é semelhante a alguma coisa. Ele o compara a pedras como o jaspe, um cristal e a sardônica, uma pedra avermelhada de brilho faiscante. Ao comparar a natureza de Deus a essas pedras, o autor sugere que a expressão do caráter de Deus é gloriosa.

Deus é soberano: "Ao redor do trono há também 24 tronos e assentados sobre esses tronos estão 24 anciãos... em cujas cabeças estão coroas de ouro". É possível que essas pessoas representem os doze patriarcas da velha dispensação e os doze apóstolos da nova. De tempos em tempos os vinte e quatro anciãos prostram-se diante daquele que se encontra assentado no trono e depositam suas coroas diante do trono. Esses anciãos são reis pois usam coroas mas demonstram com sua atitude que Deus é Soberano, o grande Rei sobre todas as coisas. Esta é uma forma de mostrar a falácia da pretensão blasfema do imperador Domiciano, de se proclamar divino. Aqueles crentes perseguidos se sentiriam grandemente encorajados com essa perspectiva de quem é realmente soberano.

Deus é Poder: "Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões". Esta referência revela o poder de Deus a partir das manifestações da Natureza criada por Ele.

Deus é imanente na sua Criação: Aqui há menção aos "sete espíritos" de Deus, numa referência ao perfeito Espírito Santo de Deus, que continuamente visita os crentes para os ensinar, consolar e capacitar.

Deus é Santo: O texto se refere a um mar de vidro diante do trono de Deus, sugerindo o quanto Deus é transcendente e majestoso. Por causa da majestade divina o homem não pode se aproximar de Deus porque Ele é Santo (há uma separação entre Deus e o homem, que é o mar).

Deus é a Fonte de Vida: A visão neste ponto fala de quatro seres viventes no meio e à volta do trono. Cada um deles é semelhante, respectivamente, a um leão, a um novilho, a um homem e a uma águia voando. Cada um desses seres têm seis asas. Aparentemente os seres viventes descritos representam todos os seres viventes da Natureza: os animais selvagens, os animais domésticos, os seres humanos e os pássaros. Estes estão sempre no trono de Deus onde reside toda a fonte de vida.

Conclusão

O capítulo 4 de Apocalipse, que ora concluímos, dá início às descrições das visões que se ampliarão nas partes subseqüentes do livro. Em essência este capítulo apresenta a soberania de Deus, que é o Eterno e o Criador que protege o Seu povo. Este é o encorajamento que inicialmente é apresentado aos perseguidos e massacrados cristãos da Ásia Menor mas que se aplica a todos os crentes em todos os séculos. O sofrimento, perseguições e provações são coisas temporárias, dado que Deus, o nosso Defensor, é o Soberano da História.

(Resolução mínima: 800 x 600)
R. Dr. Alcides Figueiredo, 45 - Centro - Niterói - RJ - BRASIL
Copyright © 1996 - 2005, todos os direitos reservados.